Quem haveria de dizer que tantos olhares haveriam de estar atentos a
este estaminé? São as maravilhas dos tempos modernos, meus amigos, é o que vos
digo! Com todas estas redes sociais e propagação de informação a cada segundo! Agora,
a responsabilidade que cai sobre os nossos frágeis ombros atinge uma dimensão
considerável! Não sei se consigo lidar bem com esta pressão.
É que isto de debitar parágrafos para uma plateia é como fazer amor com
uma mulher enquanto uma claque de adeptos lança cânticos de incentivo! Se a
coisa correr bem, és um campeão, toda a gente grita o teu nome e certamente
terás outras oportunidades para mostrar o teu másculo valor! Se fracassares de
alguma forma, se a tua prestação não atingir os parâmetros necessários,
certamente serás presenteado com insultos, expressões de desagrado e, muito
provavelmente, na próxima vez que despires as calças, a outra pessoa no quarto
vai olhar para ti com alguma suspeita...
O grande desafio que se apresenta agora é o da transição. Como é que se
passa de um lindo parágrafo que aborda essa maravilhosa prática do sexo de
competição para outro em que pretendemos falar do Otelo Saraiva de Carvalho? Ah
pois! Se calhar pensavam que isto iam ser linhas atrás de linhas de algodão e
extâse! Não, também temos que mencionar coisas que assustam crianças e homens
adultos! Nada melhor para isso do que um Capitão de Abril em vias de extinção com défice de atenção por parte da comunicação social!
Isto porque o senhor Capitão de Abril disse há uns dias atrás que o
que o país estava mesmo a precisar era de outra revolução à moda antiga! Mais
um brilhante movimento nesse xadrez do olhem
para mim que eu preciso muito de aparecer nas notícias! Bem jogado, senhor Capitão de
Abril, bem jogado! Não consigo deixar de sentir nestas declarações um pouco de
inveja da nação grega, o berço da democracia, em que nada se resolve sem que
meio país presenteie a outra metade com uns valentes carolos, montras partidas
e carros incendiados! Tiros, bombas e socos nas trombas! O Capitão de Abril em
vias de extinção anda com saudades de uma boa zaragata! Seria mais fácil se
aderisse a uma claque de futebol. Qualquer coisa com Ultra no nome. Diz que
esses são do piorio mas, pessoalmente, não faço ideia. Eu cá sou mais pessoa de
passeios à beira-mar e tertúlias de literatura.
Reparo agora, isto até pode ser uma falha no sistema de ensino que
atravessei, mas não me consigo lembrar do nome de nenhum outro Capitão de Abril!
Será que o senhor Otelo Saraiva de Carvalho tem o monópolio do franchise dos
Capitães da Revolução dos Cravos?
A questão não é a certeza de que o país entrou em modo de deixa cá ver se os elásticos aguentam isto
até amanhã e que é necessária uma mudança de algum tipo. Mas é preciso lembrar
que a Revolução de Abril trouxe a democracia a este país. Gostemos dela ou não,
tenhamos algum apreço pelas pessoas que se servem dela ou não, é uma
democracia! É a mais bonita da rua? Provavelmente não. Mas, se calhar, é aquela
que merecemos agora, porque nós também não somos lá grandes achados...

Em primeiro lugar, bem-vindos à blogosfera activa. É sempre positivo poder contar com mais um destes pasquins virtuais, em que o humor corrosivo caminha lado a lado com a critica oportuna, qual Dustin Hoffman e Tom Cruise nessa bela e lamechas película dos anos 80 que une dois irmãos desconhecidos. O prazer que se retira da leitura de um artigo de opinião inteligentemente impregnado do “non sense” da estupidez própria desta vida pode-se comparar à satisfação de uma noite de lua de mel nas Caraíbas (apesar das luas de mel já não serem doces como antigamente, pois boa parte do açúcar já foi certamente deglutido antes do casório).
ResponderEliminarDito isto, passemos ao que me traz aqui: reclamar (à falta de guichet apropriado, com uma senhora de óculos de aro de tartaruga, solteirona, capaz de nos arrancar a cabeça com um grito de fúria por estarmos a incomodar o croché, resolvi fazer um comentário). Este “post” cozinha três assuntos que JAMAIS poderiam ser servidos no mesmo prato, mesmo que virtual.
Em primeiro lugar utiliza a sagrada expressão em que Ethan Hawke (na altura em regime de trabalho infantil, coisa que na sétima arte é aceitável, mas que na construção civil ou na indústria têxtil é considerado crime) se despede do seu mentor Robin Williams, em cima de uma mesa de escola, como título de um artigo sobre o capitão de Abril (afinal é só um) em fim de carreira. Até senti arrepios na espinal medula!
O referido capitão, tanto quanto se sabe, movimentou-se sempre pela sombra, manipulado os acontecimentos no conforto do comando, nunca expondo o peito às armas inimigas, coisa que deixou para aqueles que a história deixou esquecer. Duvido até que alguma vez tenha frequentado os bancos de um colégio (militares e instrução são como água e azeite) ou possua valores morais equivalentes aos dos apregoados pelos membros do Clube. Se bem me lembro, Otelo retirou o apoio aos seus pares nesse Novembro de 75, impossibilitando uma possível vitória, porque não os teve no sítio. E claro que depois se dedicou à nobre arte do terrorismo! Para mais, este é um dos meus filmes favoritos e senti-me enxovalhado com esta ligação.
Em segundo lugar, escrever na mesma frase Otelo Saraiva de Carvalho e sexo é pior que anunciarem-nos a Eva Longoria e aparecerem-nos com a Duquesa de Alba. Bem que podemos engolir comprimidos azuis, que a virilidade continuará a olhar-nos para os sapatos. Misturar a melhor coisa do mundo (ou a segunda melhor, se considerarmos uma noite de sexo com a Eva Longoria e a Kate Perry em simultâneo) com o dito capitão pode ser considerado crime de lesa pátria e, caro Rui Marujo, noutros tempos faria com que o meu amigo fosse deportado para o Tarrafal com a dita Duquesa de Alba, sem livro de cheques, por tempo indeterminado.
Espero que, de futuro, cuide melhor as analogias de que se mune para dissertar sobre assuntos de baixo nível, evitando conspurcar outros de elevado valor, só pelo simples facto de estarem situados da mesma frase. Estarei atento a esse facto, qual revisor da censura, e virei aqui puxar-lhe o pé, se o colocar em ramo verde. Como diria Mr. Keating nessa mesma metragem: “Sucking the marrow out of life doesn't mean choking on the bone.”
Continuem a dar-lhes com força e “Carpe Diem”.
PARTE I
ResponderEliminarEstimado Álvaro Crasso:
Foi com enorme prazer que deparei com o comentário deixado por si neste humilde post por mim assinado! Pessoalmente, foi quase como um novo despertar, uma espécie de nova adolescência cheia de coisas novas e acontecimentos marcantes, mas sem o aborrecimento da mudança de voz e aquele descendente movimento testicular que faz de nós homens para vida! Bom, pelo menos alguns de nós...
A razão pela qual menciono esse ‘despertar’ prende-se com a prova, proporcionada pelo seu texto, de que realmente existem pessoas por esse mundo real que se deixam enlear nas palavras escritas por este seu amigo e, talvez mais importante que isso, ainda se dignam a dispor algum do seu precioso tempo para nos oferecer um comentário, uma palavra de incentivo, uma reclamação...
Espere um momento... uma reclamação?
A menção por si feita ao prazer da leitura de opiniões alheias, metafóricamente colocando-a no mesmo patamar que as publicitadas luas de mel caribenhas, levou o meu ego afagado a sentir-se quase como uma princesa deleitando-se em luxúria! Isto se formos indivíduos que acreditem em princesas de barba, refugiadas em seus aposentos dos momentos frívolos da vida e entregues a práticas privadas que envolvam lenços de papel e uma ou outra loção disponível no mercado. Esta magnífica sensação de luxúria foi destronada com o sublevar da reclamação! Uma pena. Era uma luxúria bonita.
Mas olhemos então para o cerne do desagrado, aproveitando para pedir desculpa pela ausência do citado guichet e da solteirona. Como a situação actual não aconselha a grandes investimentos ou compromissos com proletariado, o máximo que consigo fornecer, pelo menos durante a duração deste texto, são dois tijolos, uma tábua, uma mesa de campismo e uma daquelas romenas de ascendência turca que vivem debaixo dos viadutos da capital deste belo país! Será que pode servir para o efeito? Não é uma tarimba upa-upa, daquelas que orgulha e deixa um brilhozinho nos olhos, como canta tanto o Godinho, mas é de muito boa vontade e a romena agradece o facto de não ter que ir descarregar as carrinhas dos ciganos para a Feira do Relógio!
Confesso que me deixou um pouco inquietado, a afirmação de que os assuntos referidos no post original ‘JAMAIS poderiam ser servidos no mesmo prato, mesmo que virtual’! Assim. Em maiúsculas. Para que os senhores que vivem lá em cima na Estação Espacial também pudessem ler. Foi quando me apercebi que, apesar desta nossa saudável troca de ideias, ainda não tínhamos sido oficialmente apresentados, pelo que tomo a liberdade: Boa noite! O meu nome é Rui Marujo e sou um herege! Sou do signo Peixes, mas existe quem me prefira definir como um blasfemo! Muito prazer!
(a minha capacidade de síntese é tão escassa que, qual Moisés no Mar Vermelho, me vejo obrigado a dividir este texto em dois)
PARTE II
ResponderEliminarOfereço desde já as minhas sinceras desculpas pelo melindre causado com a citação do poema de Walt Whitman, não era minha intenção! Por norma, se é para causar melindre, tenho preferência por utilizar referências vernáculas e redundâncias misantrópicas, que nem um garoto de oito anos prestes a levar a bola para casa porque não ninguém joga com as suas regras ou um professor de Religião e Moral, prestes a levar um garoto de oito anos para casa para quebrar algumas regras! O meu ponto é que não aprecio melindrar com poesia. Penso que seja um pouco com tentar manter relações sexuais com um cadáver. Sabemos o que queremos alcançar e as nossas intenções são as melhores, mas as pessoas nunca vão conseguir compreender...
Ora aqui está mais uma transição bem bonita!
Sexo, Otelo Saraiva de Carvalho, Duquesa de Alba, Eva Longoria e essa sua fantasia de ménage com convite endereçado à Kate Perry! Confesso que não faz muito o meu género de praia (se bem que era pessoa para vestir uma sunga e experimentar a temperatura da coisa), pois faz-me alguma confusão imaginar-me envolvido em actos moralmente condenados pela conservadora sociedade lusa com uma criatura que lança fogo-de-artifício pelos seios! Aquilo tem aspecto de coisa que pode vazar uma vista. Não, muito obrigado! Nesse campo sou um tipo muito mais tradicional. Tragam-me contorcionistas e engolidoras de espadas e temos uma tarde bem passada. Tipas daquelas que apoiam o queixo no chão e desfrizam o cabelo com os pés, ou das outras, que conseguem engolir o braço de um mosqueteiro sem que este lhe abra um um orifício na base do pescoço! O Otelo Saraiva de Carvalho tem ar de quem gosta de argentinas!
Estou a melhorar nesta modalidade de transitar. Gostava de saber mais sobre o Otelo. Consegui perceber que o estimado Álvaro Crasso percebe mais dele que eu. A culpa recai totalmente sobre mim, que sou preguiçoso. Gostava de saber porque razão o senhor Capitão de Abril, por quem tenho muito respeito, tem tanto apreço em lançar-se em correrias ideológicas revolucionárias com as presilhas das calças a roçar a pele do sofá onde está confortavelmente sentado ou em ameno debate ideológico moderado pelo pivot de serviço da hora de jantar! Aposto que também já deve ter lançado algumas revoluções no calor de uma esplanada de Verão, no intervalo de uma bisca lambida e um pires de tremoço salgado à porta da colectividade!
Reitero o meu respeito pelo senhor. Talvez por aquilo que representa. Repito também que gostaria de saber mais sobre ele. Sobre o Movimento das Forças Armadas, sobre a pós-Revolução e as FP-25! Repito também que sou preguiçoso. E, quase sem querer, consegui inserir aqui um parágrafo onde pareço uma pessoa séria e com estudos a falar. Mas não, não sou uma pessoa de estudos e muito menos me considero um indivíduo capaz para grandes reflexões dialécticas acerca da História e dos seus personagens! Sou como fita-adesiva a envolver um tubo de água com uma fuga, não resolve, mas desenrasca! Não se deixe iludir, ilustre Álvaro, nada disto passa de fumos e espelhos! Nem eu sei escrever de acordo com o Novo Acordo Artográfico, nem o meu processador de texto tem correcção automática!
Reparou ali em cima no companheiro a fazer conchinha com o ‘Ç’ ? É assim que eu faço as coisas! Sem olhar a regras! É por essa mesma razão que não fiquei muito constrangido com o brandir do lápis azul, nem com o hipotético e, diga-se em abono da verdade, faltoso puxar de pé! Se alguma analogia mais nefasta e capaz de provocar celeumas tiver que ser chamada à cena, lamento dizê-lo, mas não será impedida, podendo mesmo, pelo contrário, vir a ser incentivada, tamanho é o apreço sentido por semelhantes reacções alheias!
(pior do que a sintetizar, só mesmo nas operações matemáticas)
PARTE III
ResponderEliminarTermino este já longo devaneio com uma imitação ao seu encerrar de texto, uma vez que o plágio é a forma mais sincera de homenagem, oferecendo também uma citação, não dessa película eleita, mas da voz de um dos mais geniais comediantes que este planeta de medianos talentos alguma vez conheceu, George Carlin:
“I think it's the duty of the comedian to find out where the line is drawn and cross it deliberately”
Não sou um comediante. Não tenho quaisquer aspirações nessa carreira. Mas a premissa depositada nesta frase faz todo o sentido para o complexo e demente sistema que constitui a minha mente! Assim sendo, risque a azul, puxe o pé e tire-o do chão, continue atento, mas volte! Volte sempre com essa mesma sageza tão bem presente nas suas linhas! Será sempre bem vindo!
Parte 1 de 2 (Maldito blogger: esta limitação do número de caracteres é lixada. Vou passar a escrever menos de cada vez. Desculpem a partição forçada.)
ResponderEliminarHá pequenas coisas, simples apontamentos do acto de viver, que têm o condão de nos encher a alma com aqueles ingredientes de que as almas necessitam para se manterem sãs e interessantes, porque se há coisa dramática no mundo é encontrar almas banais, mas parece que agora há por aí uma praga disso, tal como houve no século XIV, mas daquelas que afligiam o corpo e o povo morria de sangramento involuntário, tudo por causa da abundância de ratos, que é bicho que hoje em dia só se vê em filmes de terror de décima categoria, porque o que está na moda são os vampiros, lobisomens e outras criaturas que devorem miúdas adolescentes que vão para o cinema fazer barulho a comer pipocas… Das dos baldes grandes, que amplificam irritantemente o restolhar das unhas de gel no fundo do recipiente!
A sua resposta é disso um exemplo, longe de mim querer aqui repetir as ilustrativas palavras da primeira parte do seu texto, pré-decepção reclamativa, mas partilho consigo a alegria de uma resposta construída num português que já não se usa, primeiro devido ao acordo desortográfico (vírus que já conseguiu entrar no meu processador de texto, mas que ainda vou conseguindo expulsar dos meus escritos, qual Távora em tempos do Marquês de Pombal, mas com menos sangue - como eu compreendo os “c” em conchinha) e segundo pela resistência em escrever “que” como “k” ou “acho” como “axo”, linguagem que, dizem fontes certas, foi criada pela Nokia e pela Ericsson para tomarem conta de Portugal, coisa de que os finlandeses desistiram depois dos russos lhes contarem como nós éramos, porque também eles já haviam pensado em ficar com este pedaço de terra mas abriram os olhos a tempo. E na altura ainda não tínhamos cá o Alberto João Jardim para os assustar, o que é certo é que puseram as foices e os martelos nos devidos sítios e apanharam o primeiro Tupolev para Moscovo (não sabe é se chegaram, porque Tupolev é algo que cai muito quando não se está à espera, daí já lhe terem mudado o nome, como se a culpa fosse das letras). Só conseguimos enganar os americanos e ingleses. Uns porque se embebedam com o nosso vinho do Porto, comprado a preços de amigo, como se não lhes fosse suficiente o whisky e o gin locais para encharcar a vela como se a vida fosse o concurso do mais bêbado, mas também se nós tivéssemos a porcaria de tempo que eles têm e as inglesas mal feitas, que exportam ocasionalmente para Albufeira para comer pescadores portugueses, também nós quereríamos permanecer sempre ébrios. Os outros porque, para além de um país de parolos que engole toda a porcaria que vem dos States como se fosse um V.Q.P.R.D. alentejano, queriam um parque de estacionamento no meio do Atlântico para os aviões que deitam bombas nas casas das famílias árabes por esse mundo fora, uma vez que o combustível está caro, graças a eles, e voar de Tripoli para o Texas é coisa para consumir mais de um jerrican de gasóleo.
Parte 2 de 2 (Para quem não sabe, é a continuação do anterior...)
ResponderEliminarMas sim, fiquei deveras lisonjeado com o seu texto dividido em três actos. Porque a importância das coisas não reside nelas próprias, mas nos seus efeitos no mundo que as rodeia. E os impactos vão sendo tão poucos que os devemos coleccionar a todos, sem esquecer nenhum, colando-os na prateleira das coisas boas da nossa história pessoal. Lamento que a palavra reclamação o tenha feito arrumar a loção, a intenção não era denegrir o escrito, nem deixar-lhe as partes baixas com excesso de líquidos, tão só satiricamente evidenciar que assuntos há que não são unânimes, quer na sua leitura, quer nas suas interpretações, quer na sua relevância, daí os gregos terem inventado a democracia (para além da filosofia e da homossexualidade, coisas perfeitamente desnecessárias ao mundo) para dar voz a todos, até aos mudos que assim podem ter quem fale por eles, tipo marretas, mas sem o mau jeito de terem uma mão a entrar-lhes pelos fundilhos, coisa que deve doer (perguntem aos gregos), para além de não dar jeito nenhum ao sentar, por isso é que nunca vi um marreta sentado, tirando o Waldorf e o Statler, que eu desconfio que não se sentam porque devem ter hemorróidas, doença própria da terceira idade, assim como a Alzheimer ou as cataratas. Em sendo velho, se puder escolher, escolho a Alzheimer: mais vale acordar todos os dias num mundo novo, cheio de amigos desconhecidos, do que chorar de dor sentado, enquanto jogo à bisca, ou não conseguir ver que deveria escolher outro banco porque a D. Arminda passou por aquele e se esqueceu de colocar a fralda…
Apercebi-me também de que fui indelicado. Não no texto, creio, mas na ausência de apresentação. E já que o meu amigo não deve ser nenhuma rameira de beira de estrada, a quem o intróito da apresentação roubaria uns segundos de bulício, sinto-me no dever de pintar umas linhas sobre a minha pessoa, coisa de que, em condições normais, fujo como se fosse um árabe em Israel. Os meus progenitores prantaram-me Álvaro na cédula de nascimento (ainda não sei bem porquê), do meu pai recebi o Ayala, e ele do dele, que havia fugido de Burgos para Lisboa, graças a essa guerra que Picasso tão bem ilustrou no seu Guernica. Sou Carneiro, mas não daqueles que seguem o rebanho, temente, como todo o bom descendente de Isabel de Castela, tenho, no entanto, um pouco de negro na cor da lã, o que me faz calcorrear muitos caminhos, entrar em altares proibidos e conversar com os proscritos, sem que tal faça de mim um deles, mas certamente colocará alguém a olhar-me de soslaio. Gosto de conhecer e, sobretudo, de acicatar. Estamos apresentados!
Para finalizar este capítulo, espero que proliferem mais “posts” com a acidez mordaz dos já presentes, para deleite dos sentidos de quem vagueia pela blogosfera à procura da luz que livre esta sociedade da verdadeira Era das Trevas, pior esta que a medieval, pois à altura o povo não tinha culpa de ser inculto e ignorante! Parafraseando o escritor Ray Bradbury, “You don't have to burn books to destroy a culture. Just get people to stop reading them.”, por isso meu amigo, faça como JFK aconselhou (antes de lhe terem encomendado a alma um dia em Dallas, por certo por alguém que nunca leu um livro para além da Bíblia, como é comum aos americanos, que mesmo lendo a Bíblia matam gente como se não houvesse amanhã – ainda bem que aquele é o “livro bom”, nunca lhes dêem o mau):
“If art is to nourish the roots of our culture, society must set the artist free to follow his vision wherever it takes him.”
Espero que vos leve longe!
“Carpe Diem”
Estava eu a pensar que este blog estava meio adormecido, quando encontro aqui estas bonitas trocas de impressões. Mai nada! Estou de acordo com tudo, excepto naquelas coisas com as quais discordo. Mais cedo do que tarde mando nova bujarda também. Ultimamente tenho andado ocupado a fingir que estou ocupado.
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