sexta-feira, 23 de novembro de 2012

aqueçam-me esses fornos, se faz favor...

Primeiro ponto: deixem-me clarificar aqui um detalhe: eu não sou apologista do terrorismo, nem da violência! É minha opinião que todo e qualquer conflito que tenha por base ideais religiosos é puramente estúpido e serve apenas para louvar a própria estupidez humana!

Segundo ponto: saber que o Ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, possuindo os dados percentuais e as imagens da maioria das vítimas que atingiu, afirma que "as pessoas atingidas pelos ataques a Gaza mereceram o que tiveram", dá-me toda a legitimidade moral para afirmar que deviam ter dado mais algum tempo para que o senhor Adolfo pudesse terminar a empreitada...


sábado, 17 de novembro de 2012

desinformar para conquistar


A desinformação continua a grassar por esta nação miserável, no que diz respeito aos verdadeiros acontecimentos e ilações a retirar dos acontecimentos vergonhosos desta semana! Os meios de comunicação estão a cumprir o seu papel de alinhados e, em vez de uma verdadeira busca de verdade e transparência, apresentam-nos as linhas de opinião que devemos seguir!

Se hoje, 16/11/12, tiveram oportunidade de assistir ao noticiário de horário nobre do canal privado SIC transmitido a partir das 20h e, principalmente, se têm o hábito de assistir a noticiários com um espírito crítico e não apenas como uma insuportável tortura a que são obrigados a assistir enquanto não chega o momento de mais uma gala acéfala de casas tristes e pseudo-talentos, terão sentido a desilusão a instalar-se nas vossas mentes e a esperança a desvanecer.

À face de todas as situações ocorridas durante os actos vergonhosos a que todos assistimos de uma forma ou de outra, com o número de relatos de abuso de autoridade e violência desnecessária que todos os dias têm surgido, com todas as mentiras e verdadeiros insultos à população que têm saído dos comunicados oficiais de membros do governo e respectiva corja de cúmplices, seria de esperar que, quando anunciada a posse de novas imagens não divulgadas das manifestações e confrontos, o canal de televisão privado poderia trazer alguma luz, até mesmo levantar questões acerca da forma como o carga policial teria sido desproporcionada face ao número de agressores e à quantidade de pessoas inocentes que foram posteriormente espancadas pelos bastões da autoridade.

Infelizmente, não foi esse o caso. Continua a justificação imbecil de todos os movimentos policiais e de todas as suas atitudes e tácticas, louva-se-lhes a paciência a dá-se-lhes uma metafórica palmada nas costas, como que afirmando, 'bom trabalho rapazes! a democracia e a liberdade saiu reforçada depois deste dia!' Os imbecis ficam tão bem servidos de informação independente como o estão quando se trata de governantes!

Tudo isto serve apenas para frisar o seguinte: concordem ou não com o que se passou, tratem de reunir toda a informação possível, todos os relatos, todos os testemunhos, todas as imagens, todos os videos, todas as possibilidades de conseguirem construir uma opinião vossa e não a de vestirem o mesmo uniforme opinativo massificado, apenas porque é mais confortável e vocês já estão atrasados para mais uma gala acéfala de casas tristes...

É por isso que vos deixo isto: clicar e ler! informação é poder!!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

contem-me mais histórias

If you repeat a lie often enough, it becomes the truth.” (Joseph Goebbels)

Gostaria de vos convidar para um jogo! Não, não é o jogo das diferenças, nem o se beberes mais do que eu sou eu que te levo para casa (se não estão familiarizados com este, experimentem um destes dias)! Nada disso! A actividade que vos proponho pode ser apelidada de vamos tentar perceber com quantas palavras se tenta manipular uma opinião pública!

É tudo muito simples: primeiro vamos ouvir as declarações do ilustre ministro da Administração Interna, em relação a uma questão colocada por uma jornalista, levantando a possibilidade de existirem membros das forças policiais entre os agitadores da manifestação/confrontos do dia 14/11/2012! Após o embaraço visível, o ilustre responde de forma veemente, ali por volta do minuto 1:40:


Após este exercício de comunicação (ou desinformação, se preferirem), passamos à segunda fase divertida do jogo, a que podemos chamar descobre o infiltrado e que está muito bem patente nas imagens em baixo:

 Consultem este link para mais informação divertida acerca deste jogo divertido!!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

atire a primeira pedra aquele que nunca manifestou...



Tópicos a considerar após os eventos ocorridos durante o dia, tarde e noite de hoje:

- greve geral e manifestação. de acordo com os ditames da intersindical: apenas até perto da hora de jantar, que depois é hora de dobrar o colete reflector, guardá-lo na mochila à tira-colo e regressar a casa para comer uma sopa quentinha e assistir aos momentos altos da coisa nas tv's, para partilhar nas redes sociais.

- nunca antes o trabalho de um bom calceteiro foi tão apreciado, mas principalmente desejado!

- fui apenas eu que fiquei com a sensação que o secretário-geral Arménio Carlos falou imenso durante as suas intervenções, mas disse absolutamente nada que importasse?

- mais alguém ficou com a impressão que os manifestantes apedrejaram as forças de segurança como protesto por terem permitido que Arménio Carlos falasse durante tanto tempo?

- terei sido o único a detectar um punhado de jovens que recusaria na hora um emprego na construção civil, mas que habilmente despiram um talhão de calçada para apedrejar alguém?

- foi só a mim que causou estranheza o facto de ter decorrido uma sessão de apedrejamento e não se terem vislumbrado quaisquer cachecóis de clubes de futebol ou cânticos em árabe?

- porventura estarei solitário na minha crença de que os bastões das forças de segurança são activados por sensores de movimento e é por essa razão que a polícia bate em tudo o que mexe?

- alguém me explica de que foram acusadas aquelas bicicletas, barbaramente espancadas durante a investida da polícia de intervenção?

- segundo o canal de televisão privado SIC, a polícia de intervenção decidiu dispersar a multidão após terem sido ouvidas várias explosões. Alguém quer fazer o trabalho de investigação que os 'jornalistas' da SIC deviam ter feito e explicar-lhes que as explosões foram provocadas pelas próprias forças de segurança, para confundir os manifestantes, no momento da carga?

- fui só eu que fiquei com a sensação que os 'jornalistas' da SIC elogiaram tanto o trabalho das forças de segurança que só lhes faltou arrancar-lhes as protecções e oferecerem-lhes prazer oral?

- serei o único a ficar com a sensação que a SIC se está a tornar cada vez mais parecida com a FOX NEWS?

finalmente, para terminar por agora: apetece-me perguntar publicamente, após ouvir a declaração pública oferecida pelo ministro da Administração Interna, um tal de Miguel Macedo, em que disse algo como "foram apenas uma meia dúzia, os autores dos desacatos, agressões e arremesso de objectos":

- se foram "apenas uma meia dúzia", senhor ministro, porque razão levaram todos?

Palhaço

greve
Acordei com aquela sensação de que esta greve era mais uma oportunidade perdida de mudar alguma coisa. Entretanto vi na televisão um senhor a falar de uma fábrica de salsichas, elogiando "a coragem dos que foram trabalhar". Sorri! Ainda bem que fiquei em casa.

Não gosto de ser elogiado por filhos da puta!

P.S.: Boa publicidade para a Sicasal!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

fui eu que inventei esta crise!!

Comanda a tradição que a ausência seja mitigada com palavras, mas o que fazer quando a própria ausência se define na carência de comunicação? Aconselha-me o apurado desconforto social que um pedido de desculpas deverá servir!

Permitam-me também prolongar este mea culpa à presente situação que vivemos, nós os do privado, vocês os do público, todos os que partilham a nacionalidade daquilo que foi em tempos um país à beira-mar plantado! É verdade! Fui eu que inventei esta crise e é graças a mim que ela se vai perpetuando! Não vejo nenhum castigo à altura deste meu crime que não seja o ser acorrentado e esquecido nas catacumbas da memória colectiva! Bom, talvez não haja necessidade de sermos tão dramáticos mas, pelo menos, alguém devia ralhar comigo!

Todo este sentimento de culpa, que encheria de orgulho qualquer dedicado religioso judeu, invade-me a cada sucessivo despertar. No momento em que estas pupilas se libertam do jugo de Morpheu, filho de Hipnos (vá lá, leiam um livro de vez em quando!) o peso da responsabilidade atinge-me que nem um soco na face de um garoto a quem estão a roubar o dinheiro do lanche! A dor aguda do vórtex de culpabilidade em que me vejo envolvido tende a aumentar, assim que os meus sentidos procuram uma plataforma de comunicação para me possa inteirar do estado do trânsito das, aparentemente, únicas duas cidades de um país de aproximadamente 11/12 milhões de pessoas!

As intervenções de pessoas que têm muito para dizer, mas que curiosamente nada conseguem solucionar, são servidas em catadupa e, em todas elas, a ideia é reforçada e os dedos estão apontados a mim, desgraçado e ensonado: sou eu que vou ter que pagar por isto!!

Faz todo o sentido. Afinal de contas, fui eu quem deixou que os recursos deste país tivessem sido miseravelmente aproveitados até chegar a um ponto em que pouco ou nada há que aproveitar! Fui eu que, por exemplo, não soube gerir décadas de fundos europeus, gastos a construir estradas redundantes ou a aumentar a frota automóvel em detrimento de um desenvolvimento agrícola sustentável e viável à exportação!

Eu sabia que aquelas minhas decisões duvidosas um dia haviam de voltar para me assombrar...

sábado, 10 de novembro de 2012

Que maçada!

Diário de uma tia que gosta de pobrezinhos, 09.11.2012

9:30, Que maçada! A nova criada não sabe preparar o café. Dei-lhe um raspanete e disse-lhe que hoje vai dormir no estábulo. Já o meu pai dizia, "desde que proibiram as chicotadas nunca mais houve criados em condições". É uma ideia um pouco antiquada, mas com algum mérito. Depois do pequeno-almoço rezei e pedi a Nosso Senhor que abençoe o mundo todo, especialmente os pobrezinhos.

11:30, Reunião maçadora. Estamos a preparar um jantar de caridade. Não sabiamos o que servir de entrada. A Titi sugeriu caviar, mas a Jójó, que é uma modernaça, sugeriu a cozinha de fusão. Eu prefiro cozinha francesa. No fim sugeri que podemos servir as três e deixar os convidados escolher. O que sobrar damos aos pobrezinhos, embora antecipe com desgosto que muitos não saberão apreciar a comida. Dizem que os pobrezinhos têm menos predisposição genética para desenvolver paladares sofisticados.

A Fifi sugeriu que podíamos servir canja para poupar dinheiro. Rimo-nos que nem umas perdidas. A Fifi tem um sentido de humor apurado. Quando ela diz estas coisas nem se ri. Olha para nós com cara séria, o que torna tudo mais engraçado.

14:30, Distribuí comida aos pobrezinhos. Embora aprecie muito este serviço, é um bocado maçador. Os pobrezinhos estão sempre com fome. Se estivesse na posição deles teria a humildade de só comer de vez em quando. Bem sei que Jesus Cristo disse que os pobrezinhos vão herdar o reino da terra. Mas não vejo como. Eles vestem-se mal e têm péssima reputação.

16:00, Sexo à bruta com o Jorge que toma conta do estábulo. Aproveitei para lhe dizer que a criada irá dormir lá esta noite.

18:00, Chá com o meu esposo. Infelizmente ele tem um jantar de negócios e teve que sair outra vez. Disse-lhe: Você não tem que carregar este país às costas sozinho! Podia descansar um pouco, senão ainda há-de sofrer com stress. Ele mandou-me à merda. Que maçada.

20:00, Depois de um banho em água perfumada, pedi ao mordomo que me massajasse as costas. O maroto penetrou-me.

24:00, Depois de 6 Gin tónico e duas Vodkas limão vou-me deitar. Que dia tão maçador. Ninguém sabe como é difícil ser eu.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Refundação do Camarão (...ou, mudei umas coisinhas no aspecto)

Depois de muito olhar para o blog e não ver nada a acontecer o que é que vem logo à ideia de uma pessoa normal? Vamos mudar o aspecto disto para não me cansar tanto os olhos!

Eu sei que há pessoas que me vão dizer: "Ó Pedro, se houvesse aí, sei lá, por exemplo, sem querer parecer muito pretensioso, mas um textozinho novo de vez em quando, talvez isso não parecesse tão monótono".

Mas isso são pessoas que não têm nada para fazer, eu parece-me muito mais lógico que a pessoa venha aqui, olhe e diga: " Sim senhor, tem bom aspecto, agora tenho de ir tratar da minha vidinha, que isto não está fácil!". Não vamos aborrecer as pessoas com coisas que demorem tempo!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Mais depressa se apanha um Ribatejano fraquinho que um coxo

Numa dessas reportagens que tem populado pelos canais televisivos portugueses, no intervalo daquelas em que a noticia é a coragem/estupidez dos jornalistas, é entrevistado um emigrante português em New Jersey.

A conversa é mais ou menos assim:
- Então como foi passar por esta tempestade?
- Ó amigo, eu sou Ribatejano, estou mais do que habituado a cheias!

Pára tudo, isto não é resposta digna de um verdadeiro Ribatejano. Vamos recapitular a conversa como realmente deveria ter ocorrido:
- Então como foi passar por esta tempestade?
- Ó amigo, eu sou Ribatejano, eu pego toiros pelos cornos! Não é uma tempestadezinha com nome de Gaja que me mete medo!

Aprendam, pá!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Halloween

É curioso ver a quantidade de crianças que vejo na rua a festejar o 'Dia das Bruxas', festa que praticamente não existia há poucos anos atrás. Não é de admirar pois isto é uma tradição dos países anglófonos cuja origem não está bem definida.

Nada contra esta aculturação. Pelo menos estamos a promover a integração plena dos futuros emigrantes!

Ratrapás!

Não querem lá ver que isto ainda mexe! Fico muito feliz companheiros, porque isto de falar sozinho sobre assuntos do dia-a-dia já cansa. Se alguém andasse atrás de mim com um gravador veria que falo muito, a maior parte das vezes comigo próprio. Obviamente se isso acontecesse a minha primeira reacção seria dizer: quem és tu e porque é que andas atrás de mim com um gravador, seu pervertido?! Mas tirando esse pormenor tudo o resto é verdade. Já o valor dessas opiniões... bom isso é outro assunto.

Quando esta coisa da crise começou a minha opinião oscilava entre a frustração resignada de quem acha que isto é normal, tendo em conta que somos mal governados, e uma certa hilariedade, como um invidivíduo que numa situação de pânico se ri nervosamente da situação desesperada em que se encontra. Agora acho que estou apenas zangado.

Este último orçamento, aprovado hoje por um grupo de gente bestial (no sentido em que são umas bestas) vai falhar. Não há outra hipótese. Mais impostos vai levar a uma maior quebra do consumo, mais falências, menos gente a pagar IRS e mais gente a receber subsídio de desemprego, menos IVA, menos impostos sobre os combustíveis. Tal como o Governo prevê o PIB vai contrair, provavelmente mais do que aquilo que se prevê, como tem acontecido até agora. Logo no fim disto tudo a nossa dívida pública (que se mede em proporção do PIB) vai ser ainda maior.

Mais, o provável é que as receitas do Estado fiquem aquém do previsto, como tem acontecido até agora também, o que significa um agravamento ainda maior. Conclusão, após toda esta dor, vamos estar pior do que estávamos e o Estado mais longe de conseguir pagar as suas dívidas. Têm dúvidas? Isto foi o que aconteceu neste magnífico e a todos os níveis espectacular ano de 2012.

Mas há outra coisa de que se fala pouco. Esta crise tem um impacto imediato, mas também um impacto de médio-longo prazo: a destruição do nosso (fraco) aparelho produtivo. De cada vez que fecha uma empresa perdem-se competências, máquinas, tecnologia, clientes. Numa economia a funcionar normalmente isto acontece com frequência e faz parte da regeneração do tecido empresarial: quando umas vâo à falência outras são criadas. Mas quando acontece nesta escala, não estamos apenas a sofrer no imediato, mas a diminuir o potencial produtivo da nossa economia. Mesmo que isto melhorasse em 2 anos, vai demorar muito tempo até recuperarmos tudo aquilo que se perdeu nesta brutalidade.

Ora, eu não sou advinho. As minhas previsões baseiam-se no que aconteceu no passado. Isto significa que, com toda a honestidade, não sei qual é o objectivo do Governo. Só vejo duas opções: o Governo está preso à sua própria retórica e sentem que não podem recuar. Logo o objectivo neste momento é empurrar ao máximo a política de austeridade, para que quando as coisas falharem possam dizer: tentámos, mas não funcionou. Venham os próximos a ver se fazem melhor. Outra opção: o Governo sabe que vai falhar, mas sentem que não têm outra opção, logo vão esticar a corda ao limite para depois poderem dizer à Alemanha: não funciona, precisamos de outro rumo. Continuarão a salvar a face, à custa do sofrimento de muita gente.

Agora calo-me, para não vos aborrecer mais.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Desculpem lá... Mas hoje é dia de falar do Benfica

Este é um dia especial para o meu clube. Fico sempre feliz quando vejo as multidões de benfiquistas a exercerem o seu direito de escolher o futuro do seu clube.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Ipod do Vitinho

O Gaspar tem razão, não pode ser só exigir do estado e pagar poucos impostos. Nesse sentido, o Camarão devolve tudo o que o estado faz por nós em termos de material humorístico fornecido.

Aliás o material tem jorrado tão abundantemente que estávamos seriamente a pensar na contratação de assessores para nos ajudar a seleccionar material, não fosse tão difícil encontrá-los no mercado. Diz que estão todos para os Ministérios...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Tenham muito medo do banqueiro


"Ulrich fala em "ditadura do Tribunal Constitucional"

Ora aí está uma bela noticia sim senhor. Este senhor tem realmente umas ideias muito giras! É pena elas por vezes tropeçarem numa coisa que por vezes atrapalha, a realidade...

Ora bem

Como é notório este espaço tem sido um bocado votado ao abandono pelos seus criadores. Estes seres ex-classe média que alimentam o Camarão andam com a cabeça ocupada a fazer contas aos descontos para o IRS e não têm tido tempo para mais nada.

Obviamente a culpa de tudo isto é do Sócrates, mas temos de nos fazer à vida e seguir em frente, ou fazer como ele e ir estudar para Paris.

De qualquer modo este vosso amigo para vos tornar mais estimulante a tarefa inglória de injectar cultura nos nossos fiéis seguidores teve mais uma brilhante ideia. Não se trata de fazer uma PPP do Camarão do Rio mas acredito que também nos vai tornar milionários.

Como já devem ter reparado, pessoas atentas e audazes, recuperei os artigos antigos do antigo blogue para o arquivo deste. E rendi-me ao capitalismo abrindo este espaço à publicidade do google, coisa que nos dará certamente dinheiro para nunca mais sabermos o que é o inverno, podendo saltar alegremente de hemisfério a cada seis meses, acompanhados de belas mulheres...

Isso, ou pelo menos para pagar o aluguer do domínio...

E, vá, ajudar a pagar os juros da troika...

Posto isto, está na hora de pôr as mão à obra e promover este espaço de excepção, colocando-o onde ele merece!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

É impressão minha...

...ou isto anda muito quieto por aqui?
Será que emigrou tudo ou andam a preparar a revolução?

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Catastroika

Passado todo este tempo de ausência, regresso só para partilhar este longo mas muito interessante documentário.
Foi feito pelos mesmos cidadãos gregos que já tinham lançado outro documentário "Debtocracy".
Eu sei que é longo, mas fica a dica, vale mesmo a pena ver.

Depois não digam que a equipa de patetas alegres que nos "governa" não tem muitos exemplos de onde tirar ideias...

domingo, 29 de abril de 2012

Ora bem

Após ter referido no meu último post que evito comentar coisas sobre as quais não sei o suficiente (ou pelo menos, não tanto quanto outros que o fazem melhor), eis se não quando me deparo com um assunto sobre o qual sei alguma coisa. Mai nada!.

Este artigo no New York Times de hoje fala do número cada vez maior de jovens qualificados do Sul da Europa que estão a emigrar para o Norte em busca de emprego. Neste caso o artigo fala da Alemanha como país receptor, mas algo semelhante acontece para Inglaterra, países escandinavos e outros, incluindo Angola e Brasil. Sendo que também eu sou um emigrante, esta coisa interessa-me. Por um lado preocupam-me os estragos que isto poderá causar no meu país no médio-prazo, mas por outro não me posso queixar uma vez que segui o mesmo caminho.

Os problemas relacionados com esta perda de jovens qualificados são fáceis de enumerar. Portugal tem uma deficiência crónica de gente qualificada, especialmente no sector privado, onde as pequenas e médias empresas (que são a maioria das empresas Portuguesas) têm dificuldade em absorver e dar formação ao número cada vez maior de gente com ensino superior*. Além disso, uma vez que a maior parte do nosso ensino superior é financiado pelo Estado, isto signifca que o Estado Português investiu milhares de euros na formação de pessoas que agora vão contribuir para a economia de outros países. No médio prazo isto poderá ser um problema, especialmente se a situação económica não melhorar rapidamente. Neste artigo é dito que se estes emigrantes não regressarem dentro dos próximos dois anos, a maioria não voltará, porque entretanto casam-se e constituem família e a partir desse momento o regresso torna-se muito mais complicado. Mas...

Mas há outra forma de olhar para isto. Eu sei que é preciso ter alguma esperança para pensar assim e que neste momento a esperança não abunda, mas eu acredito que isto poderá ser positivo para Portugal e para o resto do Sul da Europa. Primeiro que tudo, no curto-prazo, esta emigração tira alguma pressão sobre os países de origem, onde o desemprego continua a aumentar. Além disso garante que estes jovens não estão parados: estão a trabalhar,  a ganhar experiência, a aprender outras línguas, outras formas de trabalhar. Mas mais importante, no médio-longo prazo estas pessoas poderão dar algo de volta ao seu país. Conheci muita gente em Inglaterra e agora na Alemanha que vem destes países e há uma coisa que os distingue da geração de emigrantes que saíram de Portugal nos anos 60. Estes jovens (e alguns menos jovens) não querem apenas um salário, uma casinha e um carrito, no qual podem voltar à terra no Verão. Querem também qualidade de vida, e é quase consensual entre todos que o estilo de vida no país de origem é melhor do que aquele que encontram no país de destino. Logo muitos deles gostariam de regressar, se tivessem oportunidade para isso.

Quando as coisas melhorarem (infelizmente não serão 2 anos... Eu diria que serão precisos pelo menos 10 a 15 anos até que o nível de vida regresse ao estado em que estávamos antes da crise. O que por si nem é famoso, mas enfim!) muitos quererão regressar, mesmo que entretanto casem e tenham filhos. Quando regressarem, terão aprendido muitas coisas que nunca teriam aprendido se ficassem (atenção, não estou a dizer com isto que quem fica não aprende). Alguns pensarão que não se imaginam a trabalhar por conta de outrém, logo irão abrir empresas e usar os contactos que obtiveram no estrangeiro para exportar e crescer para o exterior. A maioria já não estará habituado às cunhas e compadrios que minam tanta coisa em Portugal, nem à complacência com a corrupção e abusos de poder que afectam a democracia Portuguesa. Isto terá (espero) um impacto positivo não só na nossa economia, mas também na qualidade da vida pública.

Já existem alguns casos conhecidos em Portugal de pessoas que fizeram este trajecto; e a nível mundial existe um caso relativamente famoso, envolvendo pessoas nascidas nos EUA mas com raízes em Taiwan e na China, que voltam à terra dos pais e usam os conhecimentos e contactos adquiridos no exterior para criar empresas avançadas tecnologicamente e com rápido crescimento. Este livro fala disso. É óbvio que tudo isto implica, como disse antes, uma certa dose de optimismo, que para muitos poderá ser difícil de ter neste momento. Não posso obviamente garantir que isto irá acontecer. Mas posso dizer que espero que aconteça...


*É verdade que poderiamos questionar se os cursos administrados são os mais relevantes, mas isso para mim é uma forma errada de pensar. Uma empresa com recursos pode pegar num licenciado em literatura ou filosofia e transformá-lo(a) num gestor de recursos humanos por exemplo. É verdade que essa pessoa não tem o conhecimento específico, mas tem uma série de outras competências que desenvolveu ao longo da sua educação que podem trazer algo de original

terça-feira, 17 de abril de 2012

Fénix!

Ora bem, de acordo com aquelas coisas nebulosas que preenchem o espaço existente entre as minhas orelhas (dito de outra forma, os meus pensamentos) tenho sido um ávido e prolífico escritor neste bloque. Só que o meu cérebro revela-se mais uma vez um péssimo instrumento para conhecer o mundo real. Na verdade, embora tenha pensado muito em escrever umas camarõezadas, a minha taxa de concretização está ao nível de um Nuno Gomes ou até mesmo de um Paulo Alves.

Sinto-me no entanto culpado (a culpa, como sabem, é um bom sentimento Católico) e como tal apresento as minhas desculpas e justificações, todas elas superlativamente importantes. Primeiro, tenho estado ocupado. Não sei quem inventou esta mania de trabalhar, mas parece-me mal.

Segundo, sempre que penso em comentar apercebo-me que sei pouco sobre as cenas, logo o melhor seria mesmo estar calado. Por exemplo, gostaria muito de falar sobre a crise na Europa, mas o Paul Krugman fá-lo muito melhor do que eu (já agora, se escrever-mos fá-lo de outra forma, mais precisamente retirando o acento grave e o hífen, deparamo-nos com uma alusão simbólica ao facto de termos sido violentados primeiro pelos nossos políticos e depois pelos políticos dos outros - Não perceberam? Eu explico melhor - falo, que também é a primeira pessoa do singular no verbo falar, pode ser uma referência a um objecto fálico, que por sua vez... deixem estar).

Terceiro, cada vez presto menos atenção às notícias do dia-a-dia. Isto em parte porque acho que os jornais estão a reagir de forma estúpida à quebra no número de leitores, enchendo as páginas com cada vez mais treta em vez de se focarem na procura de informação relevante. Mas o facto de eu não saber ler também não ajuda. Curiosamente, o facto de eu não saber ler, significa que não faço a mínima ideia do que estou a escrever aqui. Tanto quanto sei isto é uma receita de pudim de chocolate, o que pensando bem poderia ser um contributo mais útil.

Acho que é isto. Mas não se preocupem que ainda não desisti. Com esforço tenho a certeza que conseguirei espremer várias contribuições, todas elas altamente relevantes como esta... Abraços e beijinhos

sábado, 14 de abril de 2012

mi casa, es su casa... ou então, não...

Tentei oferecer uma espécie de enquadramento à seguinte partilha, pois tenho a noção que podem existir muitas pessoas que não fazem ideia do que representa o movimento Okupa, nem das suas motivações, nem dos seus objectivos! Não fui muito capaz. Mas posso prometer desde já uma exposição mais elaborada, se tal for necessário e/ou solicitado...

Para o post em questão, fiquem apenas com esta pequena introdução, depois vejam o vídeo e acabem por opinar e dizer de vossa justiça: após 5 anos de abandono pelo Estado, um colectivo independente decidiu okupar uma escola e transformá-la num centro colectivo, com o apoio e para o benefício da população vizinha! As autoridades, suportadas pelas decisões da autarquia (Câmara Municipal do Porto), decidiram que não podiam tolerar este tipo de atitude 'insurrecta' e levaram a cabo uma acção de despejo no edifício, com influência directa em todo o trabalho social e comunitário levado a cabo pelo colectivo que sempre contou com o apoio da comunidade vizinha!!

Sigam o link, para ver o vídeo em anexo, para que possa ter uma visão mais aprofundada acerca deste caso: http://vimeo.com/39829386

sexta-feira, 6 de abril de 2012

burn, motherfucker, burn

Ensinou-me a bem-aventurada vida e alguns anos de saber acumulado empíricamente que a embriaguez está para a criatividade como o fogo está para a floresta. É um pensamento que embeleza qualquer lar português. Talvez seja essa a nossa explicação para justificar a velocidade com que o ânimo do conteúdo do Camarão foi refreado de forma quase abrupta, após o entusiasmo inicial que nos pôs a bater calcanhares e a dar graças ao senhor. Senhor está em minúsculas. É de forma propositada.

Pessoalmente, utilizo a embriaguez para justificar muitas coisas na minha vida. Na grande maioria das vezes, coisas das quais não me orgulho muito. São assuntos para ficarem entre mim, a senhora que conheci ao quilómetro 23, na estrada para Resende, e o senhor do circo que trata dos póneis. Por vezes, um homem necessita abraçar aventuras que lhe deixem marcas no coração para o resto de uma vida...

É também a embriaguez que faz despertar o meu lado feminino! Não torça o leitor o nariz com esta afirmação, pois todos nós temos o nosso. O lado feminino. Até mesmo as naturais da Nazaré têm o delas! Sei bem que é ao beber industrialmente que se desperta a minha psique venusiana, pois a minha perícia para manejar veículos motorizados decresce substancialmente, o meu cérebro insiste em forçar a minha boca para dizer tolices em catadupa, enquanto o indíce de moleza no coração atinge tamanhas proporções que não existe saco lacrimal que consiga suportar o fluxo do dramatismo que me invade...

A embriaguez pode explicar muita coisa, mas não ajuda a justificar seja o que for. Explica o atalhar de assunto que me levou a registar estes pensamentos idiotas quando, na verdade, o meu objectivo era reflectir acerca dos incêndios que pouco a pouco vão derretendo esta terra de queimados que, ao que parece, nunca estão preparados para o lavrar das chamas e ficam frequentemente muito admirados quando elas surgem!  Não justifica a decisão tomada para postar este texto, ao invés da ideia original. Isto de escrever sem um sistema de posicionamento criativo acaba por dar neste resultado.

Para os curiosos que estão a jogar lá em casa: estava sóbrio quando escrevi isto.