segunda-feira, 11 de março de 2013

Call the police!

Olá! Este blogue é como os velhos, mija com interrupções. Nem vale a pena voltar a anunciar o regresso, cheio de confiança, afiançando que desta vez estou aqui com pujança: vou escrever qualquer coisa e depois logo se vê.

Quanto a este governo apenas tenho a dizer que estamos cada vez melhor. É tempo de mudar de atitude e perceber que a austeridade, mais do que uma política fiscal, é uma tentativa de expiação de pecados, que fortalece o espírito e nos coloca de bom grado perante o Espírito Santo. É tempo de ver que o estrangulamento do consumo não significa destruir as expectativas de uma larga fasquia da população, que ainda há pouco tinha ascendido a algo que se parecia com uma classe média: pelo contrário, a austeridade é uma carícia, que nos aproxima de um estado de alma mais puro, no qual podemos comungar com o Senhor. Quanto mais desiludidos e frustrados melhor, porque é nesses momentos de desespero, quando nos despojamos de tudo o que é material e terreno, que percebemos o quão egoístas fomos, ao pensar que tinhamos direito a uma vida decente.

O apelo à moral católica não te convence? No problem, toma lá um pouco de management speak, assim mesmo em Inglês, como aprendi na escola de gestão onde paguei uma fee pela pós-graduação. A crise é uma oportunidade. Os portugueses são passivos e não o entendem mas felizmente há um grupo cada vez maior de gente jovem, fresca, bonita e urbana que o percebe: agora é o momento de abrir o teu negócio. Sê optimista, adopta uma postura moderna, usa a Internet neste flat world, convence um grupo de venture capitalists a investir no teu projecto e tu conseguirás, porque não é com uma atitude negativa que isto muda. Só tenho uma palavra para ti: empreendedorismo. Com energia e talento terás o mundo na palma das tuas mãos!

Ainda assim, não está convencido? Você terá então que entender que o rácio da nossa dívida em relação ao PIB degradou nos últimos anos e que tendo em conta as previsões macroeconómicas para o crescimento da nossa economia não nos resta alternativa senão adoptar uma política de consolidação fiscal que elimine o défice estrutural do Estado e nos coloque num caminho de estabilidade orçamental que permita o retorno da confiança e do investimento. Este caminho implica também uma série de reformas estruturais que libertem os factors produtivos e provoquem uma redução do custo unitário do trabalho para recupermos a nossa competividade em relação à Alemanha.


Moral da história: ou nos dão uma lição de moral, ou nos tratam por parvos, ou nos aborrecem, mas o final é sempre o mesmo: come e cala!











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