A derrota de Portugal foi uma coisa boa! Não me entendam
mal, perder é cagalhão. Embora ache que o árbitro possa ter exagerado aqui e
ali, no fim perdemos porque fomos piores, o que frustra ainda mais (para mim
pelo menos). Mas o significado desta minha abertura é outra: para o cidadão consciencializado
da gravidade do momento político que atravessamos seria sempre difícil apoiar a
seleção nacional, devido ao fato não negligenciável de que isto se tratam de
milionários a chutar uma bola em oposição a outros milionários, num país (Brasil)
onde as pessoas passam fome, embora tenha riquezas naturais suficientes para
que toda a gente seja pelo menos remediada. O que quero dizer com isto é que
com esta derrota tornamo-nos imediatamente nos cães de baixo (ou underdogs,
nessa língua bárbara que domina o espaço simbólico) e portanto passa a ser aceitável
para o simpático burguês de esquerda apoiar a sua equipa de futebol. Além do
mais mimetiza-se com esta coisa a luta politica que nos tem dominado nos
últimos anos, com os alemães a darem-nos uma tareia sem serem particularmente
hábeis (ou bonitos, diga-se sem ser de passagem).
A seleção nacional de futebol portuguesa ainda pode ganhar
tudo, mas a partir deste momento tudo o que ganhar será à custa de sangue, suor
e lágrimas (expressão usada por Churchill quando lançou o Reino Unido na guerra
contra a Alemanha; logo expressão carregada de simbolismo, se é que me faço
entender) e portanto podemos agora todos aplaudir, independentemente de
acharmos que o Passos Coelho é o demónio ou apenas a pior pessoa que já pisou
este nosso cantinho à beira-mar semeado.
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